sábado, 27 de novembro de 2010

«Jorge Jesus? Não esqueçam a campanha transacta»


Leonardo Jardim sai em defesa do treinador do Benfica. A recente derrota em Telavive aguçou ainda mais a contestação mas o técnico beira-marense é daqueles que conseguem ver mais além: «Jorge Jesus fez a equipa campeã, é normal quando os resultados não aparecem e a fasquia está tão alta, que o treinador seja o principal elemento criticado, mas não se pode esquecer a campanha da época transacta.»

«Espero um Benfica competente, de qualidade, que tem um conjunto de jogadores de nível internacional e que, apesar de não estar a ter os resultados da época passada, é uma equipa extremamente forte e muito boa nos esquemas tácticos e bolas paradas. Temos de ter cuidados a esse nível.»




Para o jogo de amanhã espero um Benfica com a atitude que teve principalmente na segunda parte em Israel e que tenha também um pouco mais de felicidade na concretização pois de facto também nos faltou a estrelinha de campeão. Refiro-me a lances flagrantes de golo que se Kardec tivesse concretizado estávamos agora a falar da finalíssima com o Shalke 04. Teve a infelicidade de não marcar...E a culpa é do Jorge Jesus?


Apelo também  ao nosso Presidente, caso não tenha vontade de ver os jogos até ao fim quando as coisas não estão a correr bem, que fique em casa...

Quando o exemplo de descrença vem de cima, como pode uma equipa ter confiança e ser solidária...


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Crónicas Leonor Pinhão

Foram-se os dedos mas ficaram os anéis (e como o Real Madrid é inimigo mortal do ‘zapping’)

O responsável pela segurança do estádio do Sporting assegurou a João Moutinho que nada tem a recear na noite do seu regresso a Alvalade. Não o fez, no entanto, de forma directa. Não lhe ligou para o telemóvel para, pessoalmente, tranquilizar o ex-capitão do Sporting o que, convenhamos, não fazia sentido algum e até poderia ser confundido com uma manobra sub-reptícia de intimidação.
 
O responsável pela segurança do estádio do Sporting fez o que tinha de fazer. Através da imprensa enviou o recado que lhe competia: Moutinho «pode vir tranquilo» porque «ninguém lhe toca».
 
Ou seja, ninguém toca em Moutinho pela parte que toca ao responsável pela segurança do estádio do Sporting chamado, pela força das circunstâncias, a assumir as responsabilidades inerentes ao cargo que ocupa e, como se não bastasse, acrescidas das responsabilidades morais, que não as suas, pela dramatização inevitável do regresso do jogador à casa que foi sua e que, no Verão passado, o vendeu ao rival amigo do Porto.
 
Que o Sporting é um clube Porto friendly é um dado adquirido, casta constatar a lista de negócios amáveis verificados entre os dois emblemas.
O que preocupa o responsável pela segurança do Estádio de Alvalade não é, portanto, a iminente visita do iminente adversário. É apenas a visita de João Moutinho o motivo deste quebra-cabeça.
 
No último jogo em Alvalade, um joguinho para a Taça de Portugal em que o adversário era o Paços de ferreira, noticiaram os jornais que alguns sectores do público se entretiveram a «ensaiar cânticos insultuosos dedicados ao ex-capitão» e que, no fervor do momento, «rebentou um petardo no sector da claque Directivo Ultras XXI» ferindo com alguma gravidade um adepto que «perdeu três dedos».
 
Depois de José Eduardo Bettencourt ter revelado numa inesquecível entrevista a A BOLA que era descendente do Rei das Canárias e conhecendo-se, historicamente, a origem nobre do Sporting, fundado pelo Visconde de Alvalade, é caso para se dizer que foram-se os dedos mas ficaram, de certeza absoluta, os anéis.
O presidente do Sporting bem pode ser um príncipe das ilhas Canárias da cabeça aos pés e vir agora apelar ao civismo dos adeptos mais descontrolados do seu clube no sentido de evitar que o regresso de João Moutinho a Alvalade não fique marcado por nenhum episódio que venha a envergonhar os adeptos mais controlados do Sporting.
 
A poucos dias do próximo clássico, José Eduardo Bettencourt desfaz-se em elogios ao carácter e ao profissionalismo do rapaz a quem, no Verão passado, chamou de «maçã podre» entre outras considerações do mesmo teor.
«João Moutinho foi sempre um profissional fantástico», disse. E disse também que «não gostaria de ver atitudes menos correctas em relação a ele».
E é muito provável que continue a dizer coisas do género até se saber se a mialgia de esforço de que padece Moutinho será suficiente ou insuficiente para o afastar do Sporting - FC Porto retirando ao jogo a sua maior e tão aguardada componente bélica e demencial.
Sem ter qualquer culpa no cartório, o responsável pela segurança do estádio do Sporting está viver uma semana difícil. E até deve tremer sempre que o presidente se aproxima de um microfone ou de um gravador de um jornalista

O Moreirense, de um escalão secundário, caiu na taça de Portugal aos pés do FC Porto pela diferença mínima de golos o que em nada deslustra os pergaminhos da equipa de Moreira de Cónegos.
Já Antchouet poderia ter ficado com uma história para contar aos filhos e aos netos… mas não o deixaram usufruir esse pequeno detalhe de carácter pessoal.
Com 0-0 no marcador, Antchouet marcou um golo limpo ao FC Porto que o árbitro invalidou com um julgamento errado.
Até ao Moreirense…

Terça-Feira de Liga dos campeões na televisão, perspectiva de uma noite de zapping entre Braga, Londres e Amesterdão. Mas este Real Madrid é um inimigo mortal do zapping porque é muito difícil mudar de canal quando a equipa de José Mourinho está a jogar.
 
Espreita-se para Braga e é engraçado ver o Arsenal todo baralhado a jogar contra uma equipa que usa o seu equipamento histórico, passa-se por Londres e é curioso ver como o Zilina se consegue adiantar no marcador na casa do Chelsea mas quando se chega a Amesterdão é praticamente impossível despegar do espectáculo mesmo com um Real Madrid que se apresenta com algumas figuras da segunda linha como Albiol, Lass, Arbeloa ou Benzema, que não tem sido titular.
O tempo vai passando, o 0-0 persiste em Braga e o Chelsea empata frente aos eslovacos. Há a curiosidade de ver Ramires em acção mas o apelo de Amesterdão é sempre mais forte sobretudo quando Mourinho manda entrar em campo Di María que não demora mais de cinco minutos a oferecer um golo a Cristiano Ronaldo.
 
São onze contra onze mas o Ajax sofre a bom sofrer. Depois o árbitro expulsa Xavi Alonso e Sergio Ramos, o Ajax joga contra 10 e depois contra 9 mas continua a sofrer a bom sofrer na parte final do jogo. É tanto e tão bom futebol que até faz impressão.
Um derradeiro salto para braga que está a ganhar por 1-0. Os tipos do Arsenal estão francamente irritados, vê-se que não gostam de perder, tentam o empate ao transe mas Matheus pega na bola, vai por ali fora e faz um golão que há-de render uma fortuna.
Foi uma bela terça-feira, não haja dúvida.

Já a quarta-feira foi uma lástima. Podíamos até ter ganho o Prémio da Regularidade somando três derrotas sempre por 2-0 nos jogos disputados fora na poule da Liga dos campeões. Mas nem isso. Já em tempo de compensação, o Benfica sofreu o terceiro golo e estragou o lamentável brilharete a que se candidatava.
Em Israel, ontem, o Benfica conseguiu, no entanto, impossíveis. Ao intervalo ganhava por 11-0 em pontapés de canto e perdia por 1-0 em golos. Na segunda parte, chegou aos 18-0 em cantos e sofreu o segundo golo no primeiro pontapé de canto a favor do Hapoel.
 
Carlos Manuel, comentando o jogo na televisão, garante que os jogadores do Benfica sofrem de «fadiga mental». Não será, porventura, o caso. Mas, para já, quem sofre e muito de fadiga mental são os adeptos.

Leonor Pinhão, 25 de Novembro in Jornal A Bola

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Acabou o mito Jesus

Acabou o mito Jesus - Luís Avelãs

Mesmo tendo tido a sorte de calhar num grupo bastante simpático, sem nenhum “tubarão”, o Benfica não conseguiu qualificar-se para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. E a triste sentença chegou ainda com uma partida para disputar. Tudo porque as águias foram incapazes de levar de vencida a modesta formação do Hapoel Telavive. Pior: saíram de Israel vergadas ao peso de uma humilhante derrota (0-3) que, conforme confessou o treinador local, nem os próprios adversários admitiam como possível.

Meses depois de ter conquistado o título nacional - e de ter mostrado um futebol vistoso e eficiente -, a equipa do Benfica é, hoje em dia, bastante diferente. Para pior. Para muito pior. E se são os jogadores que fazem os resultados dentro do campo, convém não esquecer o “dedo” dos treinadores. Jorge Jesus foi endeusado quando colocou os encarnados a jogar “a sério”. Agora, no entanto, parece claro que não será um inquilino para durar muito no banco. E tudo porque, num ápice, a sua boa estrela desapareceu. Agora, quase que invariavelmente, as opções saem furadas, as substituições não ajudam e, mais grave, dá a ideia que os jogadores já não absorvem a mensagem, nem sequer entendem algumas (várias) das suas decisões. Aliás, também dirigentes e cada vez mais adeptos se interrogam perante determinadas atitudes do técnico.

O Benfica abandona a “Champions” depois de perder os três jogos fora. Longe da Luz, mais do que serem invariavelmente derrotados, os encarnados nem um golito marcaram. Com Lyon e Schalke longe do fulgor dos últimos anos (os franceses são oitavos e os alemães 15.ºs nos respectivos campeonatos), nem assim os portugueses foram capazes de, pelo menos, empatar uma partida. E se o registo já estava mau, na quarta-feira raiou o absurdo quando se deu a catástrofe em Telavive. Pese ter beneficiado de 21 cantos, de ter tido a bola quase de princípio a fim e de ter construído as melhores oportunidades, o Benfica saiu completamente amolgado do relvado, após ter escrito uma das páginas mais cinzentas da sua história (Jesus está a coleccionar várias nos últimos tempos) . É que ser goleado pelo Hapoel é algo que não tem qualquer justificação, pois estamos a falar de uma equipa que fez a sua estreia esta época na mais importante competição europeia, que nunca tinha ganho uma partida a este nível, que é oriunda de um país que, futebolisticamente falando, é de expressão reduzida e, já agora, possui nas suas fileiras apenas (alguns) jogadores medianos.

A época passada, o Benfica tinha um ataque que impunha respeito e uma defesa sólida. Na altura, mesmo quando a inspiração não era a melhor, a equipa lá conseguia encontrar maneira de ganhar os jogos. Agora, vê-se precisamente o inverso. O rendimento dos avançados é bastante inferior, o sector recuado mete água quase sempre e os jogos, mesmo quando os adversários atacam pouco, podem sempre ser perdidos. Até o elogiado trabalho de laboratório de há uns meses nas bolas paradas desapareceu. Agora, são os opositores que tiram partido desse tipo de lances.

Jesus, ontem, falou em falta de sorte. Tem alguma razão. E disse ainda que a equipa podia ter estado a jogar 3 ou 4 horas que dificilmente iria marcar um golo. Também deve ter razão. Aliás, nas pouco mais de 4 horas e meia que a equipa disputou fora nesta Liga dos Campeões... nunca marcou, pelo que a dedução parece correcta. O treinador que tanta gala fazia há uns meses com as suas profecias também acertou noutra coisa: o Hapoel ia decidir a sorte deste grupo. Só não foi capaz de prever quem seria o “bombo da festa”.

Sempre considerei que Jesus estava a exagerar quando dizia, de peito cheio, que a equipa podia vencer a “Champions”. Só ele, no meio das suas megalómanas visões, podia acreditar nesse desenlace. Aliás, um dos grandes problemas (talvez o maior) do actual Benfica é que o técnico tem metido as mãos pelos pés vezes sem conta. Jesus, depois de ter brilhado a temporada passada, convenceu-se que era uma espécie de clone de José Mourinho, que conseguia transformar em ouro tudo o que tocava e que iria ganhar vezes sem conta. Falou demais e mal (o que não foi propriamente uma novidade...), tomou opções erradas (dispensas e contratações) e começou a dar sinais de evidente desnorte quando surgiram as dificuldades. Agora, resume à falta de sorte os resultados negativos. Será que, no passado, os positivos também eram obra do destino? Afinal de contas, sempre se ouviu dizer que, num país em que Belenenses e Boavista foram momentâneas excepções, quem treina Benfica, FC Porto ou Sporting arrisca-se sempre a ser campeão...

PS - Sem Supertaça e Liga dos Campeões e com o Campeonato virtualmente perdido, o Benfica tem, desportivamente, de concentrar forças na Taça de Portugal, na Taça da Liga (gostava de ver, neste cenário, Vieira abdicar da competição) e na Liga Europa (acreditando que o apuramento para esta prova vai ser uma realidade). Contudo, financeiramente, não vejo maneira de o clube poder passar por Janeiro sem vender jogadores. Deixar algumas das figuras na Luz mais tempo só servirá para as desvalorizar.

PS1 – Depois de ter humilhado Nuno Gomes ao lançá-lo nos instantes finais do já resolvido embate com a Naval, Jesus foi ainda mais longe desta vez. Desvalorizou a confiança que o capitão ganhou com o recente golo e abdicou da sua experiência e liderança (mesmo no banco) numa partida que catalogou de final. Ele lá sabe porquê. Ou pensa que sabe... 
 
Luis Avelãs - Jornal Record

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