sexta-feira, 13 de abril de 2012

Crónicas Leonor Pinhão

As 3 teorias que justificam a perda do campeonato pelo Benfica

"A 19 de Fevereiro o Benfica era alegremente o comandante isolado do campeonato com 5 pontos de avanço sobre o segundo classificado.

No dia seguinte jogou em Guimarães e desde aí perdeu 13 pontos. É incompetência a mais para assacar em exclusivo a um quadro tão rico de jogadores e a um treinador com provas dadas como é Jorge Jesus.
Haverá, obviamente, variadas responsabilidades de todos, jogadores e treinadores, neste inacreditável desmoronamento do Benfica.
Mas é por isso mesmo, por ser inacreditável o desmoronamento, que todo o seu entulho não pode caber inteirinho no balneário do Estádio da Luz.
Como seria de esperar, teorias há muitas para explicar a débacle.
A primeira é sempre a teoria dos árbitros e de como eles se conluiaram para oferecer o título ao FCPorto.
Não subscrevo. Os árbitros não se conluiam. Apenas fazem o melhor que podem e que sabem.
Em arbitragem sabem muito mais do que nós.

Eu, por exemplo, não sabia que nos primeiros 41 segundos do jogo não se marcam grandes penalidades porque, enfim, é chato porque houve pessoal que ainda nem se sentou.

A segunda é a teoria da conspiração. O Benfica entregou alegremente o poder na Federação Portuguesa de Futebol a um vice-presidente do FCPorto, entregou alegremente o poder na Liga a um advogado que trabalhou no escritório de onde saiu a defesa de dirigentes acusados no âmbito do Apito Dourado e dá-se por satisfeito, há anos, com a presidência do Conselho de Arbitragem exercida por um sócio de mérito do Sporting.

Também não subscrevo porque bem me lembro de ouvir o senhor Pinto da Costa, tantas e tantas vezes campeão, repetir vezes sem conta que se para o Benfica o importante era meter gente de confiança nos órgãos do futebol, para o FC Porto o importante era ter bons jogadores e bons treinadores que valessem títulos.
Dizem que este FCPorto não terá um bom treinador.

Mas vai um grande exagero daí até dizer-se que passou a ser mais importante para o clube da Invicta meter gente na Liga, na Federação, na RTP e na Avenida dos Aliados do que ter melhores jogadores e treinadores do que os adversários.
A terceira teoria é puro nonsense. Prende-se com matéria audiovisual e financeira.

Há quem garanta que a equipa de Jorge Jesus iniciou a sua débacle mais ou menos pela altura em que a comunicação social anunciou alegremente a renovação do contrato do Benfica com a Olivedesportos.

E há quem jure a pés juntos que o posterior desentendimento entre as duas partes não passa de um arrufo que se extinguirá alegremente no próximo defeso, ou mesmo antes.
Para a história desta temporada, diga-se que o Benfica em Alvalade só teve canetas para 20 minutos.
E para a história do derby, diga-se que depois de 6 vitórias e de 2 empates, o Benfica perdeu ao 8.º jogo com o Sporting e terá perdido também a ténue esperança que levava de ser campeão.
Foi o suficiente para que surgissem as já referidas teorias. E não só. Surgiram também ex-dirigentes do clube a clamar pelo fim de uma era.
Como em Outubro há eleições é de prever uma cuidadosa gestão da insatisfação popular.
Já há algum tempo que não se via disto.»

Leonor Pinhão, 12 de Abril 2012 in jornal A Bola

1 comentário:

Marco disse...

A propósito de uma crónica sua do Correio da Manhã, onde refere que o Sporting de Braga fica em terceiro e o Sporting de Lisboa em quarto, gostava de lhe dizer que Sporting de Lisboa não existe. Existe o Sporting Clube de Portugal, esteja em que estado estiver, em que divisão estiver. É bom dar a sua opinião mas em termos de imparcialidade, meu deus, isso a senhora não sabe o que é.

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