segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Entrevista a Pablo Aimar



Antes não gostava de dar entrevistas. Agora tolera-as de vez em quando. Fora do campo parece mais baixo e magro. Fala pausadamente, cumprimenta e despede-se com exemplar educação. Pede desculpa se grita com os colegas no campo e diz que ainda não fala português porque tem vergonha.



Pablo, para começo de conversa, trazemos-lhe as oitenta e uma primeiras páginas de A BOLA que têm uma fotografia sua. Destas, qual destacaria?
Vamos ver, são muitas! Julgo que a do clássico com o Sporting, no ano em que ganhámos a Liga. Onde é que ela está? Tenho de procurar...

É uma em que aparece ao colo do Luisão, em Abril de 2010, pode consultar pela data.
Sim, esta, cá está.

Falando de capas, falemos de jornais. É fácil a relação de um grande jogador com os jornalistas?
Terão de perguntar a um grande jogador [risos]...

Por isso mesmo lho perguntamos a si...
Bom, se a pergunta é para mim, digamos que há uns anos, quando era mais chico, essa relação era complicada. Mas era um erro, admito. Não entendia que futebolistas e jornalistas fazem ambos parte de um mesmo jogo e de um mesmo espectáculo. Não entendia as críticas, não as aceitava. Não percebia que aquelas pessoas, jornalistas como vocês, estavam apenas a trabalhar. Nessa altura lia tudo o que saía nos jornais.

Por ser Aimar, sente-se muito pressionado? José Mourinho chegou a dizer aos jornalistas espanhóis que, por causa deles, tinha de ter cuidado com aquilo que punha no caixote do lixo. Sente o mesmo?

Nunca senti isso. Mas estão a falar-me do melhor treinador do Mundo, a trabalhar numa das duas melhores equipas do Mundo e, a esse nível de popularidade, não sei o que se passa. Não passo, nunca passei, por aquilo que passam Cristiano ou Messi, por exemplo. É uma fama de nível mundial e não sei o que se passa na pele deles.


Mas Aimar também é mundialmente famoso.

Sim, mas falo de outro nível. Falo dos melhores três ou quatro jogadores. Talvez dos melhores dez, vá lá. Excluindo esses, acho que se pode fazer uma vida perfeitamente normal.


A ideia que se tem em Portugal é que, na Argentina, a pressão dos adeptos é terrível, quase assustadora.

Não. Num clube como o Benfica, que tem 200 mil sócios e não sei quantos milhões de adeptos, a pressão de ganhar é igual. No Valência e no Saragoça, as outras equipas em que joguei, é quase igual. A pressão de um médico, que tem de salvar a vida de uma pessoa, nada tem a ver com a pressão de um jogador. É muitíssimo superior.


Quando lhe deu o click para assumir que queria realmente vir para o Benfica?
Todos temos ego, embora o possamos tentar negar. Por isso, quando vi uma pessoa tão importante no mundo do futebol, como Rui Costa, vir de Lisboa a Saragoça para falar comigo e me tentar contratar, o meu ego ficou inchadíssimo. Só quis retribuir-lhe a confiança que estava a depositar em mim.

Até que idade pensa jogar?
Até desfrutar. Gosto de treinar, gosto de jogar, gosto do momento de entrar no relvado, gosto de todas estas sensações. Imagino, porém, que um dia não será assim. Quando tinha 20 anos achava impossível haver um dia em que não gostasse de jogar. Agora, continuo a gostar, mas sei que haverá um dia em que o corpo dirá não.

Muito longe ainda?
Não sei. Não gostaria era de continuar a jogar por algum factor extra, isso não. Respeito quem o faz, mas gostaria de ter a lucidez ou a inteligência para ser eu a deixar o futebol e não permitir que seja o futebol a deixar-me a mim.

Como vê FC Porto, Sporting e SC Braga? Quem está mais forte?
Há um ano, perguntaram a um jogador, não me lembro qual, o que achava do adversário Benfica. E ele disse: «Acho que está mais fraco». Não gostei de ler essa frase e é por isso que não falo dos outros. Digo, apenas, que o Benfica está bem e pode lutar de igual para igual com os outros três candidatos. São quatro candidatos a ganhar o título. Importante é olharmos para o nosso interior e ver que estamos bem.


Nos jogos em Braga acontecem, como diz Artur, coisas do outro Mundo?
São jogos complicados porque o SC Braga é muito boa equipa, porque tem bons jogadores que sabem o que querem. Têm um estilo de jogo que os fez ser finalistas da Liga Europa.


O golo ao Paços de Ferreira, em Outubro de 2010, pegando na bola antes do meio-campo, fintando três jogadores e fazendo o 1-0 foi o seu melhor no Benfica?
Não.


Não?
Aquele de que mais gostei foi o que marquei ao Sporting.


Porquê?
Não estávamos a jogar bem e necessitávamos de ganhar para darmos um passo muito grande rumo ao título. Além disso, foi um golo bonito porque fugi a um defesa, não o via mas intuía que vinha atrás de mim, passei pelo guarda-redes e, quando o defesa chegou, levantei a bola e fiz golo.


Acredita que Javi García proferiu as frases racistas durante o jogo em Braga, como acusa Alan?
Conhecemos muito bem Javi, sabemos quem é e o que pensa e sabemos que não tem qualquer problema desse tipo. Há limites para tudo. Aceito que tu digas que eu sou um desastre. Faz parte do jogo e do futebol. Se falarmos de outras coisas, bem graves, como essa do racismo, é mais complicado. Não acredito nisso.
Fonte: Jornal A BOLA

Portugal, Cavaco Silva e o BENFICA


Com "vivas" a Portugal e ao  Benfica, o Presidente da República foi recebido no domingo em San José,  naquela que é a primeira visita de um Presidente da República à Califórnia  nos últimos 20 anos.



"Viva Portugal", "Viva o Presidente da República" e "Viva o Benfica" foi a saudação que se ouviu do meio da multidão quando Cavaco Silva chegou.



 O Áudio Aqui:


Ibrahimovic: Epic Fail


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