quinta-feira, 28 de julho de 2011

Benfica-Trabzonspor: A análise de JVP

Luisão é imprescindível

Defesa
Garay tem personalidade 

Abordar o caso Luisão tornou-se ainda mais obrigatório depois do jogo. Mais do que afirmar que o percurso dele não merecia os assobios, a forma como mais uma vez se entregou ao jogo fez dele uma peça importantíssima na eliminatória e, creio, também no futuro imediato do Benfica. A equipa precisa da liderança dele, do estatuto que tem, da experiência. Dá à defesa uma robustez que nenhum outro é capaz. O Benfica precisa de o convencer a ficar. Podem os leitores perguntar como é que isso se faz. Acho que sei, mas… Não conheço os contornos do diferendo, apenas sei que quer sair apesar de ter contrato. Um jogador na idade dele, há oito anos no mesmo clube e tendo mercado, convence-se a ficar com melhoria de contrato. Sair pode ser um desafio aliciante, mas ficar num grande clube como o Benfica, e gozando do estatuto que tem, também o é, só que aos 30 anos é forçoso pensar na questão económica. Acredito que depois do jogo de ontem as coisas poderão resolver-se. Quando a bola rola tudo muda. Então quando entra é que muda mesmo. E, repito, o Benfica precisa dele, tanto mais que ontem mostrou mais uma nova dupla que tem tudo para dar certo. Garay impressionou-me pela personalidade, bom posicionamento e colocação de passe. Esteve muito concentrado num jogo que se tornou perigoso, porque o Trabzonspor, mesmo que com alguma falta de qualidade no último terço do campo, mostrou atrevimento e a dada altura quis mesmo ganhar. 


Os novos Witsel e Nolito 

acrescentam qualidade Dos novos, gostei de Witsel e Nolito. O belga, talvez por vir de um futebol mais físico, mesmo mostrando falta de entendimento com os companheiros, o que é natural, acrescenta capacidade de trabalho e preocupações defensivas, apesar de ser um organizador de jogo. Nolito vem de uma das grandes escolas do futebol mundial. Mostrou ser inteligente na forma como se movimenta em campo, não se preocupa com grandes dribles, joga fácil e parece entender bem Aimar e Saviola. À primeira oportunidade que teve marcou e aquele não era um remate fácil, porque a bola subiu. Mas mais importante do que o remate foi o passe do Aimar, uma obra de arte. De Enzo Pérez apreciei a qualidade técnica, mas ainda não posso afirmar se é ou não um grande jogador. Não teve influência no jogo e a condição física ainda não ajuda, apesar do toque de bola. Precisa de ser mais competitivo, consistente e de jogar mais sem bola. Quanto a Emerson, achei-o tímido e demasiado preocupado com a cobertura defensiva. Ou melhora, ou em pouco tempo está toda a gente a falar da falta que faz Coentrão. 

Classe Aimar ganhou o jogo com um toque 

Jorge Jesus mexeu bem na equipa, trocou Enzo Pérez por Nolito e o espanhol marcou logo a seguir, dando força à substituição. O Benfica precisava daquele golo para descomprimir e aliviar a pressão dos adeptos. Mas vou voltar a referir o passe de Aimar, que foi meio golo. Foi Aimar quem desequilibrou o jogo. Quando se está perante um jogador de qualidade extraordinária, aparece quase sempre algo de muito bom. Às vezes, como ontem, basta um pequeno toque para ganhar um jogo. Depois de se encontrar em vantagem o Benfica conseguiu desinibir-se, mas antes havia-se limitado a uma maior iniciativa atacante, mas sem acelerações nem desequilíbrios. De tal modo que o Trabzonspor até chegou a acreditar que podia vencer. Sem mudanças de ritmo e de velocidade não há desequilíbrios e as oportunidades são poucas. Depois do 1-0 a equipa libertou-se e Gaitán fechou a conta com um grande golo. Sem fazer uma exibição de alto nível, pode afirmar-se que a exibição do Benfica foi suficiente para atacar a segunda mão com algum conforto, apesar das cautelas que sempre se aconselham, principalmente quando se vai jogar a um país como a Turquia, onde o ambiente em torno do campo é terrível. Uma nota final para salientar o regresso do Benfica aos lances de bola parada ofensivos, que foram arma no ano do título e na época passada quase não se viram (não deram em golo, mas viu-se que há trabalho) e outra para a extraordinária disponibilidade de Maxi Pereira. Depois de ter ganho a Copa América no domingo, deveria era querer descansar, por poucos dias que fossem, mas o carácter dele não é esse. O Benfica precisava e ele não hesitou.

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