terça-feira, 18 de janeiro de 2011

E vão cinco

 
 Não há memória de tantos abandonos da selecção por parte de jogadores que dela sempre fizeram parte, embora nem todos com contributos iguais.
Tiago, actualmente ao serviço do Atlético de Madrid, foi o último a anunciar a debandada, justificando a sua decisão com razões meramente pessoais.
Ao todo, são agora cinco os internacionais que não desejam mais vestir a camisola das quinas.

O primeiro a dar o mote foi o luso-brasileiro Deco.
Na altura, compreendeu-se a decisão, uma vez que vinha de uma passagem atribulada pelo Campeonato do Mundo da África do Sul, onde raramente foi utilizado, e donde saiu envolto numa atribulada relação com o seleccionador nacional de então.
Esse folhetim viria a ter, aliás, desenvolvimentos diversos com declarações lamentáveis de ambos lados, e a deixar à vista uma má relação que sempre fôra difícil esconder.

Seguiu-se Simão que, como todos os demais companheiros, invocou motivos pessoais para a sua renúncia. Mas, por detrás, ficaram muitas dúvidas que provavelmente só um dia mais tarde virão a ser desfeitas.
É verdade que o agora jogador do Besiktas estava a ver em risco, cada vez mais, a sua titularidade na equipa nacional, mas nem essa parece ser razão bastante para justificar a atitude assumida.

De uma assentada, Paulo Ferreira e Miguel também viraram as costas a um grupo que integraram anos a fio. Talvez tenha chegado, de facto, para ambos, a hora da despedida.
A juventude e a ambição de alguns dos seus companheiros mais recentes, terão ajudado a apontar-lhes a porta de saída. E antes que o novo seleccionador começasse a votá-los ao ostracismo, pareceu correcta a decisão de saírem pelos seus próprios pés.
Já em relação a Tiago coloca-se à grande maioria uma grande dificuldade em entender o tempo e o modo do abandono agora tornado público.
Com apenas 29 anos, portanto ainda longe do termo da sua carreira, e com uma presença bastante regular em todos os trabalhos da selecção, a razão invocada pelo jogador parece conter um argumento insuficiente para que tenhamos ficado todos devidamente esclarecidos e convencidos.
Sabe-se que, no decorrer da campanha do recente Mundial de Futebol, a relação entre muitos jogadores e o antigo seleccionador terminou numa situação de degradação quase total, o que poderá ter ajudado a instalar um estado de espírito capaz de abrir a porta para as saídas registadas até agora.
A verdade é que não nos lembramos de uma situação semelhante à de agora.
Talvez por isso se justificassem explicações mais completas.

Ribeiro Cristóvão

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