quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Nolito é precioso



TIRO E QUEDA

É um jogador fascinante, intenso nas ações em que participa, talentoso na condução da bola e suficientemente frio para, chegado ao momento da verdade, decidir com a serenidade de um monge tibetano e a pontaria de um pistoleiro quase infalível. Nolito conserva ainda o gene competitivo que traz da infância, aguçado pelo temperamento indomável de quem se agarrou à bola para evitar a derrota social a que parecia condenado nas ruas pobres de Sanlúcar de Barrameda, no sul de Espanha.

Quando chegou ao Benfica, no início da época, transportava motivação e confiança inabaláveis. Assente em qualidade técnica e atrevimento, Nolito foi surpreendente na rápida adaptação às ideias de Jorge Jesus e no modo como acrescentou soluções ofensivas jogando em constantes diagonais da esquerda para o meio. Podemos acusá-lo de não ter uma ampla visão do jogo; que só progride em movimentos individuais ou sucessivas tabelas curtas com as quais vai ganhando terreno; mas faz tudo em velocidade, com precisão e sempre focado na baliza contrária. Não há outro como ele na Liga portuguesa.
Com o tempo foi perdendo espaço mas continua a sustentar a ideia de que tê-lo como suplente é daqueles luxos só ao alcance das grandes equipas. Nolito, que acredita nele próprio até à insolência, é precioso em qualquer circunstância: quando sai do banco agita as águas (como frente ao Marítimo); se entra de início é o primeiro a reclamar protagonismo (como se viu com o Rio Ave). O estilo eletrizante que utiliza para abordar os adversários e seguir viagem sempre com destino definido é uma das suas imagens de marca. Pode ser deselegante na corrida e pouco ortodoxo em determinados gestos técnicos mas, em menos de meia temporada, assinou 10 golos. Não é perfeito? Não, mas é um grande jogador.


Rui Dias in Jornal Record

1 comentário:

Anónimo disse...

patriarca disse:

X2

Bom comentário, sem dúvidas.
Assino por baixo
patriarca.

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