sábado, 11 de dezembro de 2010

Fim do boicote aos jogos fora



Luís Filipe Vieira anunciou este sábado, em carta dirigida aos sócios do Benfica, o fim do boicote aos jogos fora. Apelos da família benfiquista mas também de outros clubes motivaram a decisão do presidente dos encarnados, avalizada pelos órgãos sociais do clube. 


«Quem não tem memória arrisca-se a ser ingrato, e há uma coisa que este clube não pode perder, a sua memória e a sua gratidão a todos os que contribuíram para engrandecer a nossa história. Sei do desencanto dos benfiquistas. Partilho desse desencanto, lamento o percurso acidentado que temos vivido, mas estou certo de que os primeiros a lamentá-lo são os nossos jogadores e a nossa equipa técnica. De uma coisa tenho a certeza: nunca devemos cair na tentação de reagir a quente, ou escolher o caminho mais fácil, porque o caminho mais fácil, muitas vezes, é aquele que nos leva aos maiores problemas"


"Fui alvo, ao longo dos últimos meses, de muitos apelos, de pessoas singulares e de várias Casas do Benfica e até de Clubes. Fui sensível a esses apelos e levei o assunto ao plenário de órgãos sociais que ontem se realizou, tendo sido decidido que - independentemente da razão que nos assiste - é tempo de retirar o apelo ao boicote e continuar a acreditar na equipa campeã nacional. Juntos, como sempre, e determinados como nunca, vamos ultrapassar todos os obstáculos."


Em defesa de Jesus


Posso estar em negação (isso explicaria por que razão estou convencido que o mau futebol do Benfica não passa de um plano diabólico para desencorajar os adeptos a irem assistir aos jogos fora). Mas a verdade é que me recuso a pensar na hipótese de Jorge Jesus ser despedido. Em termos racionais – e eu peço, desde já, desculpa por estar a amalgamar neste texto assuntos tão díspares quanto “racionalidade” e “futebol” – não faz sentido termos por fim encontrado um treinador capaz e competente, depois de décadas a tolerar treinadores razoáveis e medíocres, e agora demiti-lo por não estar a ter sucesso nos últimos meses. Sejamos razoáveis: se, até 2037, Jorge Jesus não puser a equipa a jogar como na época passada, apontemos-lhe então a porta de saída com maus modos.

Jesus perdeu o balneário? É simples: compre-se-lhe um novo balneário. Quem está com o nosso treinador, fica. Quem não está, é excomungado. Custa-me dizer isto, mas o Benfica tem muito a aprender com a forma como a Igreja Católica lidou, no passado, com a dissensão: quem não acreditar em Jesus, deve ser castigado. Mas sem aquela parte das acendalhas.

Uma referência final à forma energúmena como alguns adeptos do Benfica têm tratado o campeão nacional César Peixoto. Eu não me esqueço quem é que, no ano passado, marcou Hulk na Luz, de forma exemplar. E também não me esqueço quem é que, na época passada, foi o melhor jogador em campo no Sporting 1 - Benfica 4, referente às meias-finais da Taça da Liga. Mas isso sou eu, que não gosto de dar tiros no pé.

MIGUEL GÓIS in Jornal Record

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