Planet Benfica
O Benfica seguiu esta manhã para uma longa viagem rumo a Luanda. Faz um
jogo e regressa, se tudo decorrer como previsto, na
quinta-feira. Saiu com 16 graus centígrados,
espera-o em África uma temperatura de 30 graus. No domingo, às 18:15,
recebe
a Naval, para a Liga.
Depois da derrota
histórica no Dragão, treinadores, jogadores e dirigentes foram de folga e
reencontraram-se
esta manhã. Farão a ressaca da inesquecível
derrota fechados num avião, com um jogo sem interesse e meia dúzia de
festividades
pelo meio.
É evidente que esta deslocação
prejudica a preparação do Benfica para um jogo do campeonato.
Acrescenta
cansaço, físico e psicológico, e em nada
contribui para digerir da forma correcta o que se passou no Dragão.
Face a
este facto, uma pergunta continua por responder: esta deslocação é boa para quem?
O
presidente Luís Filipe Vieira acha
que «a viagem não é um esforço», antes um
«privilégio». Diz o dirigente que há um património afectivo a defender.
Até pode
ser que sim, mas é para isso que se fizeram as
deslocações de final de temporada.
O jogo com a selecção angolana
deverá
ser pago. Alguns órgãos de informação adiantaram
o valor de 1,4 milhões de euros, verba que não foi confirmada nem
desmentida
pelos responsáveis do Benfica. No entanto,
sabe-se que os adeptos são os melhores accionistas do mundo. Ligam pouco
aos prejuízos
e certamente não haverá um deles que troque
euros por pontos. De resto, o Benfica investiu muito no defeso, não
consta que
esteja desesperadamente à procura do equilíbrio
nas contas.
Dito isto, resta-me concluir que, até prova em
contrário,
esta viagem do Benfica serve sobretudo a quem
convidou. O futebol português é muito seguido em território angolano e
quem
possui a capacidade de levar a Luanda os craques
marca pontos.
Para o Benfica, esta viagem é um acto impróprio de
um
clube envolvido em quatro competições do mais
alto nível e a doze dias de uma deslocação, essa sim determinante, a
Israel.
Luís Sobral
