O Benfica regressou à Liga dos
Campeões dois anos e nove meses depois da última partida disputada na
principal competição europeia de clubes. Os “encarnados” apadrinharam a
estreia do campeão israelita Hapoel Telavive, mas não deixaram que os
três pontos viajassem para fora da Luz, vencendo por 2-0, com golos de
Luisão (21’) e Cardozo (68’).
Se este triunfo servirá de
algum modo para desanuviar as nuvens negras sobre a Luz, fruto de um
início de época desastroso, nem sempre o ambiente no Estádio da Luz foi
de harmonia.
Bastaria um fósforo para incendiar os ânimos e
Cardozo não se importou de ser o incendiário de serviço. Assobiado pelas
bancadas depois de um par de oportunidades falhadas (14’ e 56’), o
avançado paraguaio acertou à terceira (68’), fazendo o 2-0 para os
“encarnados”. Aos aplausos dos adeptos, Cardozo respondeu com um dedo à
frente dos lábios, mandando calar os benfiquistas. A atitude do avançado
foi brindada com um coro de assobios.
Após um bom início, o Benfica
foi perdendo gás e o Hapoel começou a tornar-se perigoso para a baliza
de Roberto. Afortunadamente para os “encarnados”, o 1-0, marcado por
Luisão (21’), surgiu na melhor altura, quando o Hapoel crescia no jogo e
após um lance em que a equipa israelita se queixou de grande penalidade
por derrube de Shechter (16’). O árbitro russo Aleksei Nikolaev assim
não entendeu e o golo do Benfica surgiu pouco depois: Aimar marcou mal
um canto na esquerda, Carlos Martins recolheu a bola no flanco
contrário, centrou e Luisão apareceu a finalizar de primeira, sem
hipóteses para Enyeama.
Saiu um peso dos ombros da equipa e
também as bancadas da Luz respiraram de alívio. Na segunda parte, o
Benfica voltou a ser feliz: após um bom início do Hapoel Telavive, o
golo apontado por Cardozo cortou pela raiz as esperanças da equipa
israelita em levar qualquer coisa do jogo. O paraguaio concluiu de forma
simples uma jogada de Ruben Amorim e Maxi Pereira, rematando para o
fundo da baliza após defesa incompleta de Enyeama.
Apesar de o
Benfica estar em vantagem e com o comando confortável do jogo, os ânimos
sentiam-se divididos, entre os aplausos à equipa e os assobios à
atitude incendiária de Cardozo.
A reconciliação só aconteceria já
depois do apito final. Enquanto os jogadores do Benfica se abraçavam a
cumprimentavam os adversários no centro do relvado, Cardozo ficou
isolado, a beber água. Após um momento de hesitação, atirou a garrafa
para o relvado. Deu dois passos, ergueu as mãos sobre a cabeça como quem
pede perdão. E as bancadas manifestaram-se, como quem diz que está tudo
esquecido. Para problemas, já basta o que basta. Até porque no domingo o
adversário é o Sporting.
Ficha de jogo
Benfica, 2
Hapoel, 0
Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.
Assistência Cerca de 35.000 espectadores.
Benfica
Roberto 6, Ruben Amorim 6, Luisão 7, David Luiz 5, Fábio Coentrão 7,
Javi García 6, Carlos Martins 6, Aimar 7 (Airton 6, 71’), Gaitán 5 (Maxi
Pereira 6, 56’), Saviola 6 (César Peixoto -, 87’) e Cardozo 6.
Treinador Jorge Jesus.
Hapoel Telavive Enyeama 6, Bondarv
5, Da Silva 6, Fransman 5 (Badier 5, 74’), Ben-Dayan 6, Rocchi 5
(Shivhon 5, 61’), Yadin 5, Vermouth 6, Zahavi 5, Sahar 5 (Tamuz 6, 56’) e
Shechter 6. Treinador Eli Gutman.
Árbitro Aleksei Nikolaev 5, da Rússia.
Amarelos Shechter (22’) e Ben-Dayan (60’).
Golos 1-0, por Luisão, aos 21’; 2-0, por Cardozo, aos 68’.