Jorge Sousa, um árbitro do Porto
Reza a lenda que o árbitro Jorge Sousa foi membro dos
Super-Dragões. Não sei se o boato começou porque alguém testemunhou a sua
presença na claque ou porque, nos jogos que arbitra, Jorge Sousa parece mais
portista que o Jorge Nuno. No Braga-Benfica do ano passado, ficou célebre o
golo anulado ao Benfica porque, ao que supuseram os especialistas na altura,
Luisão teria respirado com demasiada força no momento de cabecear. Na final da
Taça da Liga, permitiu que Bruno Alves e Raul Meireles ficassem em campo até ao
fim, provavelmente para ver qual dos dois venceria o seu campeonato privado de
agressões. Foi renhido, mas julgo que ganhou Bruno Alves por 4-3. No Rio
Ave-Porto desta semana, deixou que Falcão se pusesse às cavalitas de um
adversário no primeiro golo e admoestou, com cartão amarelo, um jogador
vila-condense por ter tido a desfaçatez de sofrer um penalty. Quando se diz que
determinado jogo vai ser arbitrado por Jorge Sousa, árbitro do Porto, sou eu o
único que suspeita que não se estão a referir à origem geográfica do juiz?
A interessante entrevista que Jesualdo Ferreira deu esta
semana parece explicar o motivo pelo qual Pinto da Costa só costuma prometer
títulos a treinadores já falecidos: é da natureza dos defuntos não concederem
entrevistas. Três meses depois do fim do campeonato brilhantemente conquistado
pelo Benfica, o treinador da equipa que terminou atrás do Braga — e que é,
aliás, o homem a quem mais conviria arranjar uma desculpa para a posição em que
ficou classificado —, veio admitir que o Porto ficou em terceiro porque «houve
duas equipas, nomeadamente a que foi campeã, que foi mais competente». Para
surpresa de todos, não fez referências a túneis nem a burocratas. Que estranho.
Jesualdo Ferreira deve ter estado distraído. Todos vimos, por exemplo, como o
Benfica bateu o Porto no Algarve, na final da Taça da Liga. No primeiro golo, o
túnel de Braga recuperou uma bola no meio campo, fez uma tabelinha com o túnel
da Luz e passou ao dr. Ricardo Costa, que rematou de fora da área, batendo
Nuno. No segundo golo, o dr. Ricardo Costa apontou superiormente um livre
directo fazendo a bola entrar no ângulo superior direito da baliza. E no
terceiro, o dr. Ricardo Costa completou o seu hattrick após jogada de insistência
do túnel de Braga pela direita. Foi a época toda nisto, e agora Jesualdo
Ferreira vem atirar-nos areia para os olhos dizendo que o Benfica venceu porque
foi melhor. Ele há cada uma!
O jogo que a selecção fez ontem teve, pelo menos, a virtude
de revelar quem tem razão no caso Carlos Queiroz. Este Portugal-Chipre
demonstrou cabalmente que a Autoridade Anti-Dopagem não tinha qualquer motivo
válido para invadir o estágio dos jogadores portugueses. Passa pela cabeça de
alguém que uma equipa que não consegue bater o Chipre em casa esteja a tomar
substâncias proibidas? Parece-me um caso evidente de excesso de zelo.
Quanto à selecção de sub-21, apesar da derrota frente à
Inglaterra acredito que esteja no bom caminho. O ponta-de-lança Bebé, por quem
o Manchester United deu cerca de 10 milhões de euros, parece-me ser um jogador
de futuro. Trata-se, aliás, do segundo bebé mais caro do futebol português, a
seguir ao de Cristiano Ronaldo, o que indica a qualidade do atleta.
Ricardo Araújo Pereira, 04 de Setembro in Jornal A Bola
