terça-feira, 13 de julho de 2010

Entrevista de Roberto ao Jornal Record

 
 
 
Melhor guarda-redes do Mundo: Casillas
Melhor guarda-redes de sempre: Buffon
Melhor treinador que já teve: Aprendi com todos
Melhor defesa do Mundo: Piqué
Melhor avançado que já defrontou: Messi
 
Jogo que não esquece: Despedida do Saragoça (contra o Vilarreal), por ter sido um momento emotivo com os adeptos a gritar o meu nome.

Quais são as sensações depois dos primeiros dias a trabalhar no Benfica?
A verdade é que não estava preparado para a grandeza e para a dimensão do clube que vim encontrar. O Benfica é enorme e apesar de tudo o que me disseram antes de aqui chegar, o contacto com a realidade supera qualquer discrição que te tenham feito antes.

Há alguma coisa que o tenha impressionado mais nestes primeiros tempos?
 
As instalações, sem dúvida. Quer o estádio quer o Caixa Futebol Campus. Mas, mesmo assim, o Marquês de Pombal. Foi verdadeiramente uma coisa de loucos! Todo aquele mar de gente é algo que marca e que espero poder viver já esta temporada. Mas pelo que pude ver no Seixal e por estes primeiros dias aqui na Suíça, já deu para perceber bem a dimensão e o apoio humano que o Benfica tem.

E já consegue definir a forma de Jorge Jesus trabalhar e lidar com os jogadores?
Sim, claro. Percebe-se que é um apaixonado pelo que faz, muito cuidadoso com os pormenores e muito interventivo. Já deu para ver que é muito exigente, mas para qualquer jogador que chegue a este a exigência deve ser algo natural.


Afirmou que assume a responsabilidade de ser o guarda-redes mais bem pago da história do Benfica. Mas sente-se preparado para as críticas, num jogo que corra menos bem, tendo em conta que custou 8,5 milhões de euros?
 
Acho que os jogadores devem sempre valorizar as críticas e não ligar muito aos elogios. Errar é próprio do futebol e todos erramos, mas os guarda-redes devem ser aqueles que erram menos, porque é onde se sente mais. Estou preparado para ajudar o grupo a alcançar os seus objectivos. Os adeptos têm o direito de “cobrar” dos seus atletas, independentemente do custo, da idade, do percurso. Os adeptos têm esse direito e nós só temos de corresponder às exigências deles. Eles são os donos do clube. Podem e devem exigir.

Sabe que no Benfica existe a expectativa de ver a equipa fazer uma boa carreira na Liga dos Campeões. Não será um desafio demasiado alto e uma responsabilidade acrescida para os jogadores?
 
Quem conhece a história do Benfica também sabe que este é um clube habituado a estar na Liga dos Campeões. Anormal foi o que se passou nos últimos anos. O que vamos viver esta época deve ser a regra para um clube com a dimensão do Benfica. Temos de saber que a nossa responsabilidade é sempre ganhar, seja a prova que for. Quando falamos da Liga dos Campeões é evidente que o grau de dificuldade aumente, mas também temos de ter a ambição e a ilusão de querer ir o mais longe possível. Já percebi que no Benfica é preciso estar preparado para ganhar sempre.


Sente que terá que conquistar a maior parte dos adeptos, que eventualmente não o conhecem assim tão bem?
 
É como lhe disse, estou aqui para ajudar o Benfica e de certeza que é isso que os adeptos esperam de mim. Portanto, se fizer o meu trabalho de certeza que estarei a fazer o que me é exigido. Tens que fazer bem o teu trabalho, essa é sempre a prioridade. Se o fizeres de certeza que vais ser reconhecido por isso!


O facto de haver muitos jogadores a falar espanhol no plantel pode facilitar a sua rápida integração?
 
É evidente que isso é positivo para mim, mas o futebol tem uma linguagem universal. Aquilo que verdadeiramente ajuda a uma rápida integração é uma estrutura humana do clube, muito profissional e dedicada. É verdade que é agradável poder trocar algumas impressões com pessoas que conheces – caso do Javi – ou que alguém te traduza uma palavra ou uma indicação que nos primeiros tempos ainda não consegues perceber, mas já pude perceber que todo o grupo é muito solidário.

O Benfica inicia a época contra um rival directo. Promete estar à altura de defender as redes da equipa, frente ao FC Porto?
É para isso que aqui estou. Sinto que existe cultura de vitória, respira-se ambição por todos os lados e há uma ilusão muito grande em torno da equipa. Portanto, vamos tratar de começar bem a época trazendo o primeiro troféu do ano para o Estádio da Luz.

Júlio César pouco jogou na época passada e Moreira ainda menos. O que lhe parece a concorrência que irá ter na luta pela baliza do Benfica?
 
Creio que ambos são excelentes guarda-redes e partimos todos em condições de igualdade. Pela minha parte vou fazer aquilo que me compete, trabalhar diariamente nos limites e depois será o treinador a decidir quem vai ocupar o lugar na baliza. Vim para ajudar e para “somar”. O grupo é muito bom.

Conhece Quim, o guarda-redes titular do Benfica na época passada?
 
Teve uma grande infelicidade e quero por isso desejar-lhe que regresse o mais rapidamente possível à competição. Foi o guarda-redes menos batido na Liga portuguesa na última temporada e isso diz bem da sua qualidade.

Qual a principal razão por que aceitou trocar a melhor Liga da actualidade por campeonato de dimensão muito menor?
 
É interessante que desvalorizem dessa maneira o campeonato português, porque, na verdade, não tenho essa ideia. Quando o Benfica só consegue confirmar o título de campeão na última jornada é porque se trata de uma Liga muito competitiva. Quando se vê os estádios portugueses, a sua grande maioria tem melhores condições que muitos da Liga espanhola, se há tantos jogadores portugueses nas ligas europeias é porque foi a Liga portuguesa que os produziu! Não troquei nada, apenas aceitei um convite irrecusável.

Espanha tem hoje alguns dos melhores guarda-redes do Mundo: Casillas, Reina, Valdés, Almunia, para além de fortes promessas como De Gea ou Asenjo. Qual é o segredo?
 
Além de um bom trabalho de formação, creio que se concentraram num curto espaço de tempo muito bons talentos. De nada adianta ter bons métodos de trabalho se não existir qualidade, da mesma maneira que se houver qualidade sem o necessário trabalho de formação, essa qualidade vai-se perder. Parece que houve um encontro feliz destas duas variáveis.

Espanha joga amanhã a final do Mundial, na África do Sul. Como está a viver o omento?
 
É especial, de facto. Ficará para a história de Espanha. Repetir o sucesso do Euro’2008 no Mundial’2010 seria fantástico e poucos acreditavam que fosse possível, principalmente depois do jogo com a Suíça. Mas seria injusto isolar o sucesso do futebol do resto do desporto espanhol: ténis, basquetebol, automobilismo e por aí fora. Houve um investimento sério nas últimas décadas e agora os resultados estão à vista.

A Jabulani tem sido alvo de muitas críticas. Também se queixa?
 
É uma bola diferente, que nalgumas situações inverte a trajectória e dificulta-nos muito a vida. Mas é a que foi escolhida e não vale a pena ninguém se queixar. Todos jogarão com a mesma bola…

Por que motivo ainda não chegou a guarda-redes de primeiro plano no futebol espanhol?
 
É sempre uma questão de oportunidade, mas jogar na primeira Liga de Espanha é estar nas opções de primeiro plano. Ter contribuído para que o Saragoça não tivesse descido de divisão é algo de que me orgulho e que motivou o interesse do Benfica. Faço parte da equipa do Benfica e isso é o que realmente importa. É verdade que tive momentos de alguma infelicidade, nomeadamente quando estava no Atlético Madrid e me lesionei, o que correspondeu à oportunidade do De Gea, que a agarrou e muito bem. O futebol é o momento e eu espero corresponder à aposta que fizeram em mim.

Por falar em momento, como é que encarou a recente proposta que o Benfica recebeu do Arsenal para a sua transferência? Ficou surpreendido pelos valores em causa?
 
Isso é um tema que deixo ao cuidado do meu empresário e do clube. Sei que antes de aparecer o Benfica havia clubes ingleses interessados, mas a partir do momento em que soube que podia vir para Lisboa, nem houve hesitação, foi imediato. Cheguei ao maior clube do Mundo e não quero sair!

Mas aposta numa passagem longa pelo futebol português ou admite que este passo pode ser apenas um trampolim para campeonatos mais competitivos?
 
O Benfica não é trampolim, o Benfica é a piscina! É um clube onde qualquer jogador ambiciona jogar. Quando se chega a um clube como este a nossa vontade só pode ser uma, ficar cá o maior número de anos que for possível. Tenho um contrato de cinco épocas que espero poder cumprir. Pelos poucos dias que aqui levo já verifiquei que o presidente coloca a componente desportiva acima da financeira e, portanto, só tenho de fazer bem o meu trabalho e ajudar o Benfica a ganhar.

Viu algum jogo do seu novo clube em 2009/10?
 
Nomeadamente o jogo de apresentação, porque estive no Estádio da Luz (n.r.: Benfica-Atlético Madrid). É sempre um jogo especial, mas o ambiente de festa que presenciei, confesso que me impressionou.

Sabe que o Benfica teve a defesa menos batida da última época. Pergunto-lhe que opinião tem dos centrais que vão poder estar à sua frente, Luisão e David Luiz?
 
São dois excelentes jogadores. Um deles é opção da selecção brasileira, o que só por si diz tudo, e o outro dentro em breve também pode lá chegar, mas sei que todo o plantel é muito homogéneo.

Que mensagem final gostaria de deixar aos adeptos do seu novo clube?
 
Que acreditem no nosso trabalho e nos apoiem como sei que apoiaram o ano passado. Podem ter a certeza que vou trabalhar para honrar a camisola do Benfica.

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