Aí está a cerimónia de abertura do Campeonato do Mundo de futebol no Soccer City Stadium, em Joanesburgo.
Num estádio que não estava ainda completamente lotado, desfilou cor, desfilou ritmo africano e desfilaram as bandeiras dos países participantes.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Crónicas Leonor Pinhão
Pouco
genial presidente, pouco genial
Não
conheço nenhum portista que não tivesse reagido com um «oh, que pena!» à
notícia de A BOLA dando conta do assédio do FC Porto a Jorge Jesus no
final desta época.
E conheço muitos que reagiram com um saudoso «ai,
ai, nos seus bons velhos tempos o nosso presidente tinha-vos dado mesmo
a golpada!» e outros, mais dados à teoria histórica, que logo
recordaram com um «ah, era lindo, um bocado parecido com aquela vez que
fomos buscar o Rui Águas quando ele era o vosso ídolo e símbolo».
Na verdade,
nada mais dentro do reportório de Pinto da Costa do que tentar fazer um
número com Jorge Jesus que, em termos de apego ao Benfica, tem bem
menos responsabilidades do que tinha Rui Águas desde que nasceu e,
especialmente, no ano de 1988.
Mas, desta vez, o número falhou.
Há artistas que, com o tempo, perdem qualidades.
E o silêncio
oficial sobre o assunto é tão eloquente…
Pouco genial, presidente, pouco
genial.
Em
Junho de 2001, Pinto da Costa estava aborrecido com Domingos Paciência,
em final de carreira, e Domingos estava aborrecido com Pinto da Costa,
que, pelas nossas contas, já tinha passado o meio da carreira, e que
criticava o ex-menino de ouro nestes termos: «Não venham agora com
choradinhos de simbologias quando os jogadores são eminentemente
profissionais e quando têm oportunidade de sair não abdicam de as aproveitar».
Tudo isto a propósito de uma experiencia pouco empolgante do mesmo
Domingos no Tenerife e do seu regresso, também pouco empolgante, ao
Estádio das Antas, pois era assim que se chamava na altura o recinto do
FC Porto.
O episódio já se passou há muito tempo e não é o
simpático e distante Tenerife que o traz à baila. É antes o exemplo que
Pinto da Costa deu do atleta que, segundo ele, mais e melhor
significava a pureza do desinteresse material e do amor à camisola. «Só
conheço um jogador que, desde que calçou umas botas ou sapatilhas para
jogar futebol, só vestiu a camisola do FC Porto. Esse jogador foi
Rodolfo Reis. Todos os outros aproveitaram quando tiveram oportunidade
de ir para melhor».
Pois bem, resta-nos dizer que, face a
acontecimentos bem mais recentes, Rodolfo Reis está completamente
tramado.
Se na apresentação de André Villas-Boas, o
presidente do FC Porto afirmou peremptoriamente que não conhecia, no
universo portista, nenhum «céptico» quando ao bom juízo da sua escolha,
imagine-se só que, no mesmo dia, veio Rodolfo Reis não só desalinhar
como também desmentir Pinto da Costa em declarações públicas em tudo
contrárias ao discurso presidencial sobre a unanimidade em torno do
novo treinador: «Não sei o que dizer e acho que é a opinião de milhares
de pessoas do universo portista. André Villas-Boas foi o técnico da
Académica e lá fez um trabalho banal, apenas. É um risco total».
E Rodolfo
Reis é mesmo um símbolo do FC Porto.
Pronto,
lá estragaram as férias ao nosso Rúben Amorim. E, ainda por cima, que
merecidas férias para quem tanto labutou e jogou um ano inteiro.
Lamentavelmente, Rúben Amorim vai viajar para a África do Sul porque
Nani, que prometia estar em grande, se lesionou num ombro ainda em
Portugal.
Curiosamente, o comunicado da FPF a anunciar a
indisponibilidade do jogador não especifica as circunstâncias em que
Nani se magoou. Terá sido a jogar ping-pong com Cristiano Ronaldo? Ou
terá sido a comemorar o seu bonito golo aos Camarões com uma sequência
de cambalhotas? Em Manchester, Sir Alex Ferguson passa-se com os saltos
mortais do português e alguma razão terá.
Na edição
de terça-feira, A Bola publicava excertos de um relatório de André
Villas-Boas que «fez furor» e que «ainda hoje é alvo de estudo».
Trata-se de
uma observação do Newcastle, adversário do Chelsea, para quem
Villas-Boas trabalhava sob o comando de José Mourinho. Não se resiste a
partilhar com os leitores mais distraídos deste jornal, alguns
excertos dessa obra marcada pela genialidade.
Ora, tomem lá
para aprenderem a fazer relatórios: «Importante manter atenção à alta
intensidade do jogo»… «muita rapidez e alertas nas segundas bolas»…
«más transições defensivas e bolas paradas»… «substituições não
implicam alteração do sistema»…« Luque tem técnica»… e termina com uma
chamada de atenção ao atraso de bolas para o guarda-redes… «grande
perigo!».
Por esquecimento, não foi mencionado que este
relatório que «fez furor» é «ainda hoje alvo de estudo» até na NASA!
Florentino
Perez, o presidente do Real Madrid, concedeu uma entrevista à cadeia
de rádio espanhola Antena 3 e disse: «Gosto muito do Di María». E o que
é que isso tem de especial? Também nós, os que somos do Benfica,
gostamos muito do Di María. Se Florentino Perez gosta assim tanto,
tanto, tanto do argentino, tem bom remédio. Pague.
No
princípio da semana, pelas ruas da cidade. Vai uma pessoa a passar
perto de uma banca de jornais, olha distraidamente para as primeiras
páginas e, de repente, sobressalta-se, quase não quer acreditar no que
lê na manchete de O Jogo: VILLAS-BOAS ACREDITA QUE PODE MUDAR O ‘POLVO’.
Não é
possível! Então isto é que é um treinador «à Porto»? Este rapaz, com
estes propósitos, não vai longe…
Depois uma pessoa aproxima-se do
escaparate e percebe, finalmente, o verdadeiro teor da notícia. ‘O
Polvo’ é a alcunha do jogador Fernando para o qual o novo treinador tem
planos tácticos diferentes daqueles que tinha o anterior treinador.
Ah, pronto, assim já faz sentido.
Óscar
Cardozo lesionou-se num tornozelo já ia adiantada a segunda parte do
último Benfica-Sporting para o campeonato de 2009/2010. Com o devido
respeito, levou uma patada de Grimmi em plena área sportinguista que o
deitou por terra e por lá ficou um bom par de minutos em grande
aflição. Lembram-se? Obviamente, o árbitro não apontou para a marca de
grande penalidade porque era chato, podia roubar interesse à competição
que foi disputada até ao fim.
Depois
Cardozo levantou-se a coxear, ao jogo e na primeira oportunidade que
teve, mesmo manco, rematou uma bola com êxito para o fundo da baliza de
Rui Patrício e inaugurou o marcador que viria a ser magnificamente
selado por uma obra artística de Pablito Aimar. Até ao fim do
campeonato, Cardozo disputou o título de melhor marcador com Falcão,
marcando, sempre preso por arames, sempre a coxear, os golos
suficientes para receber, no fim de tudo, em pleno relvado da Luz o
troféu que distingue o artilheiro-mor da época. E exibiu, na ocasião, um
bonito sorriso, ainda que melancólico como é do seu timbre.
O
esforço de Cardozo e o sacrifício que fez foram meritórios e muito
aplaudidos. O paraguaio mostrou-se sempre empenhado em ajudar a equipa a
ganhar o título colectivo e a equipa mostrou-se sempre empenhada em
ajudar Cardozo a ganhar o título individual. E tudo acabou em beleza.
Cardoso
poderá ou não sair do Benfica e, se sair, vai deixar excelentes
recordações e um muito válido sentido de gratidão entre todos os
benfiquistas. Foi inexcedível e agora que já tudo passou, até lhe
perdoamos aquela série de grandes penalidades falhadas com que nos ia
matando a todos de ataque cardíaco.
Só não se compreende o relambório
corrente do empresário do jogador, Pedro Aldeva, que lastima todos os
dias na imprensa o facto de Cardozo ter jogado em deficientes condições
as últimas partidas do campeonato português, pondo em em risco a sua
titularidade no Mundial e a sua transferência para outras paragens.
Não se
compreende porque nunca ninguém ouviu Cardozo lamentar-se do mesmo.
Antes pelo contrário. Conquistar a Bola de Prata foi um objectivo a que
nunca virou a cara e muito menos o tornozelo lesionado.
Leonor Pinhão, 10 de Junho in Jornal A Bola
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