Golf, Isqueiradas e Misérias...
As circunstâncias que rodearam o
clássico do Dragão são motivo de orgulho para todos os desportistas
nacionais. Ficámos a saber da existência de mais duas secções no FC
Porto: uma de golfe, com a particularidade de estar na moda uma variante
que dispensa os tacos, o equipamento tradicional e até os "greens";
outra, muito mais certeira, que se dedica à isqueirada, modalidade com
todos os condimentos para se tornar um fenómeno de popularidade. Claro
que o isqueiro pode ser aperfeiçoado, uma vez que não serve para acender
ou alumiar, mas apenas como arma de arremesso.
Percebemos que os respetivos praticantes não gostam de dar a
cara, preferindo fazer lançamentos furtivos e assobiando para o lado
quando pressentem a proximidade de uma câmara de televisão. Por exemplo:
nas imagens da Sport TV viu-se bem o homem que fez de Jorge Jesus o seu
alvo particular. Aposto que já passou a gravação para DVD, com o
objetivo de a mostrar à família e aos amigos. Pena que as "implacáveis"
forças de segurança não tenham tido oportunidade de ver o que o país
viu. Percebeu-se, enfim, que não é uma modalidade ao alcance de todos,
depois de presenciarmos o "falhanço" de Luisão, depois de alvejado à
entrada do túnel. Não dá para aquilo...
Houve outras
inoperâncias, dentro e fora de campo. Fora, avulta o momento da
declaração categórica de um responsável policial, garantindo não ter
havido pedradas ou similares ao autocarro do Benfica, desde o hotel ao
estádio. Teve azar: o repórter televisivo de serviço desmentiu-o de
imediato, com o argumento irrefutável: "Eu vi...". Olegário Benquerença,
apesar do olho de lince que lhe permitiu oferecer por três vezes o
cartão amarelo a jogadores do Benfica nos primeiros quinze minutos (dois
deles absurdos, os de Di María e Fábio Coentrão, um terceiro duvidoso, o
de David Luiz), não conseguiu ver dois ataques (falhados, é certo, mas
bem percetíveis) de Raul Meireles a pernas adversárias nem dois penáltis
(carga sobre Maxi Pereira, mão na bola em livre marcado por Di María)
que seriam claríssimos, noutro estádio e noutro ambiente.
Razão
teve Jesualdo Ferreira: a expulsão de Fucile é ridícula. Sobretudo por
ser tardia - com igualdade de critérios, teria deixado o terreno de jogo
logo aos 17 minutos. Feitas as contas, pouco importa: o FC Porto julga
ter salvo a honra, o Benfica conseguiu salvar jogadores suficientes para
entrar em campo no próximo domingo. E até os distantes adeptos do
Sporting, apesar da oitava derrota e de somarem 42 pontos perdidos para
os 45 conquistados, puderam festejar os golos do FC Porto. E talvez o do
Braga, mesmo marcado em fora-de-jogo. É bom que todos descubram motivos
para celebrar - sempre se evitam as depressões.
João Gobern in Jornal Record