HenriCartoon
Uma das virtudes do último dérby foi ter devolvido alguma justiça à
tabela classificativa. É comummente aceite que o facto de este Benfica
estar só a 23 pontos do Sporting não espelhava de forma conveniente a
diferença entre as duas equipas. Corrigida a injustiça, foi então altura
de ver também as diferenças entre os clubes no pós-jogo. Em primeiro
lugar, surgiu João Moutinho que, alguns minutos depois de fazer uma
entrada por trás sobre Ramires merecedora de cartão vermelho, veio
queixar-se do facto de Luisão ter feito uma entrada por trás sobre
Liedson merecedora de cartão vermelho, quase tão violenta quanto a
entrada por trás de Miguel Veloso sobre Alan Kardec merecedora de cartão
vermelho - só não o lesionou, porque felizmente acertou no piton do
Bruno Alves que o Kardec tem embutido nas costas, desde a final da Taça
da Liga.
De seguida, apareceu o director para o futebol do
Sporting. (Para quem não sabe, de entre os vários poderes e
responsabilidades do presidente do Sporting não se encontra a nomeação
do director para o futebol. Se não, vejamos: primeiro, a Juve Leo nomeou
Sá Pinto; mais recentemente, o empresário Jorge Mendes nomeou Costinha.
Em rigor, já calhou a quase toda a gente essa tarefa, menos ao seu
presidente. Há que rever esses estatutos.) Depois de se queixar da
arbitragem, proclamou um blackout à moda do Porto. Percebe-se agora por
que é que o Sporting se autointitula um clube diferente. Mais nenhum
clube grande em Portugal copia o modelo de gestão e comunicação de um
outro clube grande. Ou seja, o Sporting é diferente porque é igual ao FC
Porto.
Seja como for, ouve-se agora dizer por todo o lado que
esta época do Sporting é para esquecer, mas não posso estar de acordo
com isso. Pelo menos, eu vou-me lembrar dela para sempre.