sábado, 13 de fevereiro de 2010

Um Benfica em serviços mínimos...


O Benfica recebeu e venceu o Belenenses por 1-0, em jogo a contar para a 19ª jornada.
Cardozo foi o autor do único golo da partida aos 10 minutos batendo o  seu recorde de golos numa época (23).

Foi um Benfica em «serviços mínimos», numa final de tarde com muito público nas bancadas (45.000) para assistir a autêntico «clássico» de outros tempo do futebol português.

Os «encarnados» marcaram na primeira vez que a bola foi à baliza, num cabeceamento de Cardozo após excelente iniciativa da direita por Ramires, passando depois a jogar mais na expectativa...
O importante foi amealhar mais 3 pontos num jogo em que um dos adversários directos (FC Porto) não foi além de um empate.


Em dia de aniversário (cumpriu 29 anos), Luisão diz que a prenda pretendida era poder festejar a vitória diante do Belenenses, tal como foi conseguido, ainda que pela margem mínima (1-0).

«A prenda que eu queria era a vitória e isso foi conseguido. A equipa sabe que a bola não vai entrar três ou quatro vezes na baliza do adversário, por isso o mais importante é que vencemos e continuamos numa boa caminhada», referiu o jogador, em declarações prestadas na habitual flash interview no final do encontro.

Luisão foi ainda instado a efectuar balanço dos anos que leva ao serviço dos «encarnados»: «Levo já seis anos de clube e cada vez que visto a camisola do Benfica para entrar em campo é motivo de felicidade.»



Crónicas Ricardo Araújo Pereira

 A Árvore Calabote numa Floresta de Guímaros

Acaba de ser publicado um livro que promete animar a época dos portistas (uma vez que a luta pelo segundo lugar não parece constituir animação suficiente). O autor é uma pessoa idónea, sobretudo na medida em que nunca foi levado por Pinto da Costa a conhecer o Papa. Por paradoxal que pareça, os autores de livros mais credíveis são aqueles que o presidente do Porto não apresenta a líderes religiosos. Isto da credibilidade literária tem subtilezas que só estão ao alcance dos críticos mais argutos.
A obra em causa relata acontecimentos passados há mais de 50 anos — que são, em geral, os mais úteis para se compreender o presente. Trata-se de uma investigação sobre Inocêncio Calabote, o árbitro que foi recebido pelo presidente do Benfica em sua casa na véspera de um jogo. Não, desculpem. Enganei-me. É o árbitro a quem o Benfica pagou uma viagem ao Brasil, assim é que é. Peço desculpa, voltei a equivocar-me. O livro é sobre um árbitro que terá recebido quinhentinhos de um vice-presidente do Benfica. Perdão, ainda não é isto. É um árbitro ao qual o presidente do Benfica mandou oferecer fruta para dormir, conforme comprovado por uma escuta. Apre! Não acerto. Bom, parece que se trata de um árbitro ao qual o Benfica não ofereceu nada e que, em troca, terá beneficiado o clube a ponto de fazer com que o Porto ganhasse o campeonato. Enfim, um daqueles escândalos que nem 50 anos de silêncio conseguem apagar. Mas, reconheça-se, um escândalo que se mantém actual: um árbitro que acabou castigado pela justiça desportiva num ano em que o campeonato foi ganho pelo Porto. Realmente, soa-me a familiar.


Os dirigentes do Braga (ou, como lhe chama Augusto Duarte, o árbitro condenado por corrupção passiva, «o meu Braguinha») afirmam que têm sido prejudicados pela arbitragem. Quem beneficia com o prejuízo do Braga? O Benfica, que está em primeiro e só depende de si para continuar em primeiro? Ou o Porto, que está atrás do Braga e depende de terceiros para o ultrapassar? O Benfica, que luta pelo título — ao contrário do Braga, como sempre têm vindo a dizer os seus técnicos e jogadores? Ou o Porto, cujo presidente sempre disse que o seu principal adversário era o Braga? Ora aqui está uma questão difícil.

O Sporting perde em Braga e os sportinguistas: «O Bettencourt não fala?» Depois, o Sporting é goleado pelo Porto e os sportinguistas: «E o Bettencourt, não fala?» A seguir, o Sporting perde em casa com a Académica e os sportinguistas: «Mas o Bettencourt não fala?» Dias depois, o Sporting é goleado pelo Benfica e os sportinguistas: «Mas porque é que o Bettencourt não fala?» É então que Bettencourt regressa do Brasil e diz: «O objectivo do Sporting é o quarto lugar.» E os sportinguistas: «Porque é que o Bettencourt não se cala?» Ainda assim, não sei se a indignação dos sportinguistas é justa. Quando Bettencourt diz que o campeonato do Sporting é o mesmo que o de Marítimo, Leiria e Nacional, está a ofender mais os sportinguistas ou os adeptos de Marítimo, Leiria e Nacional?

Ricardo Araújo Pereira, 13 de Fevereiro 2010 in  Jornal A Bola

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