terça-feira, 29 de setembro de 2009

Crónicas de Ricardo Araújo Pereira


Pedro Proença, um homem do avesso

SE alguma vez eu for, em tribunal, acusado de algum crime por uma testemunha ocular, espero sinceramente que essa testemunha seja o árbitro Pedro Proença. Aquilo que Pedro Proença presencia é sempre o rigoroso oposto daquilo que ele pensa que presenciou – o que é extremamente curioso. As coisas acontecem de pernas para o ar à frente de Pedro Proença. O mundo, que está direito para nós, apresenta-se-lhe do avesso. Repare o leitor: no ano passado, no estádio do Dragão, Yebda não cometeu qualquer falta sobre Lisandro López. Pedro Proença assinalou a respectiva grande penalidade. Na semana passada, Alvaro Pereira cometeu penalty sobre Alan. Pedro Proença, como é evidente, mandou seguir. Ambas as situações foram avaliadas ao contrário, e foi isso que me permitiu detectar aqui um padrão interessante. Só há uma coisa que nunca se inverte: quem está de azul e branco, sai beneficiado; quem está de vermelho, sai prejudicado.

O lagarto e o dragão são dois bichos escamosos que largam gosma. Este é um primeiro ponto. O segundo ponto é este: Pinto da Costa e José Eduardo Bettencourt vão assistir ao FC Porto-Sporting juntos, na tribuna presidencial do estádio do Dragão. Depois de ter assistido ao Nacional-Sporting junto do homem que prometeu ao seu clube o Paulo Assunção e, à última hora, o levou para o FC Porto, Bettencourt prepara-se agora para assistir ao FC Porto-Sporting junto do homem que recebeu o jogador que o seu clube estava quase a contratar. Os sportinguistas, que se saiba, não dizem nada. A única vez que censuraram uma atitude do presidente do Sporting foi quando ele cometeu o gravíssimo delito de dizer que o plantel do Benfica era bom. Mas hoje, Bettencourt terá, enquanto estiver sentado ao lado do dirigente que está a cumprir pena de suspensão de dois anos por tentativa de corrupção, a admiração dos sócios do Sporting. A menos que elogie o Benfica, claro.

O FC Porto-Sporting de hoje é, não me custa reconhecê-lo, um duelo de titãs. A equipa à qual foi perdoado o penalty de Alvaro Pereira sobre Alan, em Braga, defronta a equipa à qual foi perdoado um penalty de Miguel Veloso sobre Toy, em Alvalade, e a favor da qual se marcou um penalty inexistente. Prevejo, portanto, um jogo com muito futebol por alto. Quando duas equipas estão a ser levadas ao colo, não faz sentido jogar a bola pela relva. Ao colo do árbitro, os jogadores têm alguma dificuldade de chegar com os pés ao chão.

Por Ricardo Araújo Pereira in A Bola, 27 de Setembro 2009




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